"Lentamente, sente os pensamentos preenchendo o quarto. Respira-os. Eles acariciam sua pele. Permitem que sua mente fique livre." Wake
© theme. details livejournal.
“É como se eu não estivesse mais apta a isso… Amar.”
“Sair correndo até encontrar o nada. Completamente sozinha, somente eu, minhas roupas, meus pés na grama verdinha e a imensidão azul se esticando preguiçosamente em minha frente até se fundir com o horizonte. Querer estar comigo mesma, me fazer companhia de um jeito que não faço a muito tempo. Sorrir sobre minhas bobagens e aproveitar as poucas horas que tenho. Conversar, discutir, pensar. Até então, quem sabe, me tornar amiga de quem eu sou, ou de quem eu venha querer ser.”

Ele: Todo mundo gosta de pessoas engraçadas.
Ela: Não é verdade. As pessoas dizem que eu sou engraçada, mas nenhuma delas gosta de mim.
“Sem pensar muito deixei finalmente aquela agonia escorrer pelos meus olhos. Me concentrei em cada lágrima quente que rolava tentando descobrir um porquê racional. Tentando entender o real motivo pra’quela dor tão intensa e real que eu sentia. Não encontrei, só chorei em silêncio.”

Querer dormir
mas não ter sono;
Querer sorrir
mas não ter motivo;
Querer correr
mas não ter abrigo;
Querer abraçar
mas sentir repulsa;
Querer ficar sozinha
no meio de um monte de gente querida;
Querer tudo
mas, ainda assim, não querer nadinha.
“Vazio. Um vazio enorme que se estende por cada fibra do meu corpo. Que não é espaço de ninguém nem de nenhum sentimento, um vazio que se alastra lenta e dolorosamente sem rastro, sem princípio e aparentemente sem motivo. É algo muito maior, muito mais importante. Algo tão profundo que não sei quando perdi, mas que faz uma falta incrivelmente intensa e dilacerante. […] Mesmo quando sorrio, quando achava estar feliz, não estava. Era uma euforia que começava com uma gargalhada enorme e se emendava com o choro mais duro e desesperado que alguém pode dar. E eu não sinto nada, ou sinto tudo. Mas de um jeito anestesiado, com relação aqueles que eu costumava desejar ao máximo estar perto… Eu não sinto a menor vontade de estar na companhia de ninguém, isso inclui a mim mesma. Uma vontade louca de bater muito na primeira pessoa que cruzar meu caminho só pra depois abraçar e não largar nunca mais.”
~ É isso, diagnóstico feito, eu acho.

E eu odeio essa sensação de dever ser feliz mas não conseguir. Não é nada de fora pra dentro, não são as lembranças, não é a saudade, não é infelicidade. É algo muito mais ínfimo e perturbador que isso. Coisa essa que eu não sei o que é, porque sinto, ou SE sinto realmente. É como… Como quando você ganha algo que muito quer mas se sente idiota por ter querido tanto, não, acho que também não é isso… É uma sensação de… Medo. É, é a ideia mais plausível. Medo de ficar feliz demais, de ter muito carinho, de ter muitos amigos… E perder tudo. Porque isso é algo tão constante, conseguir tudo que eu quero pra depois simplesmente perder e ficar sem chão. Eu odeio esse ciclo infinito de perdas e ganhos… É, deve ser só medo mesmo.

E essa mania das pessoas tentarem preencher vazios, sem notar que é esforço em vão… Isso não é como um buraco que você pode simplesmente colocar o que quiser para tampar, é mais como um quebra-cabeça… São peças perfeitas que quando faltam… Não dá pra simplesmente substituir, o vazio vai ficar ali pra sempre, mas não quer dizer que tu ainda não pode formar um belo quadro com as peças que sobraram.

Logo após aquela cena dolorosamente silenciosa, caminhei entre os rostos sorridentes da manhã fria. Sem procurar ninguém, me concentrando somente nas densas lágrimas que embargavam meus olhos. Quando senti aquele abraço de urso me envolvendo. Exatamente quando pareceu-me possível me afogar no mar salgado. Os olhos atentos então encontraram os meus marejados, mas nada disse, não perguntou, nem tentou me “dar forças”, somente sorriu e proferiu qualquer frase boba e sem nexo. Então eu pensei: “É, talvez eu nem esteja tão na merda assim”.

Não gosto de gente que não sabe se vai ou se fica, eu gosto de gente que vem e não vai mesmo quando eu to puta da vida. Esse vai e vem, indecisão, mudança repentina de sentimentos… Me faz borbulhar por dentro. E, na boa, indecisão não é estado permanente pra mim, se é pra você, eu te ajudo a resolver: sai daqui já.