E eu odeio essa sensação de dever ser feliz mas não conseguir. Não é nada de fora pra dentro, não são as lembranças, não é a saudade, não é infelicidade. É algo muito mais ínfimo e perturbador que isso. Coisa essa que eu não sei o que é, porque sinto, ou SE sinto realmente. É como… Como quando você ganha algo que muito quer mas se sente idiota por ter querido tanto, não, acho que também não é isso… É uma sensação de… Medo. É, é a ideia mais plausível. Medo de ficar feliz demais, de ter muito carinho, de ter muitos amigos… E perder tudo. Porque isso é algo tão constante, conseguir tudo que eu quero pra depois simplesmente perder e ficar sem chão. Eu odeio esse ciclo infinito de perdas e ganhos… É, deve ser só medo mesmo.
E essa mania das pessoas tentarem preencher vazios, sem notar que é esforço em vão… Isso não é como um buraco que você pode simplesmente colocar o que quiser para tampar, é mais como um quebra-cabeça… São peças perfeitas que quando faltam… Não dá pra simplesmente substituir, o vazio vai ficar ali pra sempre, mas não quer dizer que tu ainda não pode formar um belo quadro com as peças que sobraram.
Logo após aquela cena dolorosamente silenciosa, caminhei entre os rostos sorridentes da manhã fria. Sem procurar ninguém, me concentrando somente nas densas lágrimas que embargavam meus olhos. Quando senti aquele abraço de urso me envolvendo. Exatamente quando pareceu-me possível me afogar no mar salgado. Os olhos atentos então encontraram os meus marejados, mas nada disse, não perguntou, nem tentou me “dar forças”, somente sorriu e proferiu qualquer frase boba e sem nexo. Então eu pensei: “É, talvez eu nem esteja tão na merda assim”.
Não gosto de gente que não sabe se vai ou se fica, eu gosto de gente que vem e não vai mesmo quando eu to puta da vida. Esse vai e vem, indecisão, mudança repentina de sentimentos… Me faz borbulhar por dentro. E, na boa, indecisão não é estado permanente pra mim, se é pra você, eu te ajudo a resolver: sai daqui já.